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As deficiências motoras serão classificadas de maneira que sejam facilitados a identificação e os procedimentos para adequar as ajudas técnicas necessárias ao usuário. Neste tópico são apresentadas noções básicas que informam os tipos de situação motora de origem neurológica ou anatômica.


Paralisia cerebral: “O termo paralisia cerebral (PC) denota uma série heterogênea de síndromes clínicas caracterizada por distúrbios motores e alterações posturais permanentes de etiologia não progressiva que ocorrem em um cérebro imaturo, que podem ou não estar associadas a alterações cognitivas. As alterações motoras tornam o movimento voluntário descoordenado, estereotipado e limitado” (Geoffrey Milller, 2002).


 
Classificação das deficiências motoras


As deficiências motoras podem ser classificadas de acordo com tipo e localização motora:

  • Espástica – Aproximadamente 60% das paralisias cerebrais acontecem no córtex motor. Os músculos são facilmente irritáveis e se contraem a partir de pequenas estimulações. A pessoa espástica apresenta rigidez muscular, ou tensão muscular. Isto significa dizer que os movimentos são rígidos, lentos e desajeitados. A rigidez tende a aumentar quando a pessoa vai emitir um comportamento voluntário, quando está aborrecida ou excitada, ou ainda, quando o seu corpo está em determinadas posições. O padrão de rigidez varia muito de criança para criança, mas o primeiro passo para facilitar que a criança manipule e explore os objetos é que ela esteja bem posicionada;
  • Atetóide - A atetose consiste em movimentos com dificuldades no ritmo, concorrentes com movimentos voluntários, de forma que leva a descoordenação global. Os movimentos são lentos e contorcidos, ou súbitos e rápidos, nos pés, braços, mãos ou músculos faciais. É como se os braços fizessem movimentos nervosos, os pés dessem pequenos saltos, ou apenas uma mão ou um dedo se movesse sem intenção, fatos que dificultam a pessoa pegar e manipular adequadamente os objetos. Quando afetados os músculos da fala, as pessoas apresentam dificuldades em comunicar pensamentos e necessidades. Problemas de visão também podem estar associados ao quadro e dificultam a fixação visual para acompanhar os deslocamentos, bem como a dissociação dos movimentos olho-cabeça. Com a intensificação da fixação da visão, elas podem se tornar estrábicas;
  • Atáxicas - Neste tipo de paralisia cerebral, a área afetada é o cerebelo. Suas principais características são: o desequilíbrio motor, a falta de coordenação e o nistagmo, que é um rápido movimento dos olhos. A pessoa com ataxia pode apresentar dificuldade para sentar-se ou ficar de pé. Ela cai com freqüência e faz uso das mãos de maneira muito desajeitada. Geralmente necessita de suporte físico para permanecer sentada, sem cair.


A Paralisia Cerebral está classificada em três padrões típicos, dependendo das partes do corpo atingidas: hemiplegia, paraplegia e tetraplegia.

  • Hemiplegia - Braço e perna do mesmo lado. O braço é dobrado; mão espástica ou flácida, devido ao pouco uso. Já a perna atingida se apóia na ponta dos pés, ou na lateral externa do pé;
  • Paraplegia - Somente as duas pernas encontram-se afetadas, podendo haver ligeiro comprometimento de outras partes (diplégico). A parte superior do corpo geralmente não é afetada. A pessoa pode apresentar contraturas nos pés e nos tornozelos;
  • Tetraplegia - São afetados tanto os membros superiores, como os inferiores. Ao caminhar, os braços, a cabeça e a boca podem sofrer contrações, os joelhos encostados um no outro, pernas e pés voltados para dentro. Muitas pessoas com tetraplegia têm lesão cerebral tão severa que dificilmente poderão andar:
  • LEA - Lesão Encefálica Adquirida no adulto (a partir dos 17 anos);
  • LEIA - Lesão Encefálica Adquirida Infantil (de 1 a 16 anos e 11 meses);
  • Ocasionadas por AVE (Acidente Vascular Encefálico). TCE (traumatismo crânio-encefálico), anóxias cerebrais, pós-parada cardiorrespiratória, afogamentos e infecções do SNC, e tumores de origem glial.


Má Formação e Deformidades Ósseas

A má formação está relacionada aos defeitos estruturais que resultam de erros localizados na morfogênese (desenvolvimento da forma e da estrutura do organismo) e que podem levar a sérios comprometimentos orgânicos ou manifestar-se de maneira suave sem prejuízo ao portador.

 

Deformidades ou deformações são alterações que ocorrem em estruturas embriologicamente bem desenvolvidas a partir de um mecanismo intra-uterino e não fetal.


As deficiências ósseas afetam principalmente os membros superiores e inferiores, a espinha e as articulações. As deficiências prejudicam a pessoa andar, sentar, ficar em pé e usar as mãos. Podem ser congênitas ou adquiridas, sendo então resultado de doenças infecciosas, de disfunções relativas ao desenvolvimento ou de acidentes.
Anormalidades nos pés e tornozelos são mais comuns dentro do tipo congênito. O “pé torto”, deformação em que um ou ambos os pés são torcidos para fora, isso ocorre com muita freqüência no tornozelo (Wilson, 1971).


As pessoas com deficiência física são beneficiadas somente com modificações no ambiente físico.


Como interagir com uma pessoa com paralisia cerebral?

  • Respeite o ritmo da pessoa com paralisia cerebral, geralmente ela é mais vagarosa naquilo que faz, por exemplo: andar, falar, pegar as coisas, etc.
  • Tenha paciência ao ouvi-lo, pois a grande maioria tem dificuldades na fala. Há pessoas que confundem essa dificuldade e seu ritmo lento com a deficiência mental.
  • Não trate uma pessoa com paralisia cerebral como uma criança ou incapaz. Ela é capaz de raciocinar e agir como as demais pessoas. Ela é apenas mais lenta.
  • Lembre-se que a paralisia cerebral não é doença contagiosa. A paralisia cerebral é decorrente de uma lesão cerebral, portanto, não é doença nem é transmissível.
  • Ajude a pessoa com paralisia cerebral quando ela lhe pedir e, pergunte o que deve ser feito e como. Muitas vezes, ela tem o seu modo de fazer as coisas e a sua “ajuda” pode atrapalhá-la e/ou inibi-la.
  • Faça o possível para não olhá-la com pena ou repulsa ou como se estivesse vendo um extraterrestre. Ela é humana. As palavras-chave para lidar com a pessoa com paralisia cerebral são: paciência e respeito.

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